O sistema geniturinário é um importante sistema de manutenção da homeostasia. Devido aos diversos procedimentos relacionados e ao potencial de contaminação envolvido na manipulação de sondas e drenos para acessar esse sistema, o conhecimento de alguns aspectos da anatomia e fisiologia é de extrema importância para garantir uma assistência livre de danos.
Considerações Importantes do Sistema Urinário:

O sistema urinário é composto por: rins, ureteres, bexiga e uretra. Juntos eles têm a finalidade principal de filtrar o sangue, produzir e excretar a urina, contribuindo para a manutenção do pH sanguíneo, produção de células sanguínea e controle da pressão arterial.

A urina é formada no interior das unidades funcionais dos rins, conhecidas como néfrons. Ela é composta basicamente de água, ureia, ácido úrico e cloreto de sódio, além de outros excrementos que podem ter em excesso ou serem tóxicas ao organismo.
Várias intervenções clínicas podem ser realizadas a fim de drenar essa urina do sistema geniturinário, podendo ser aplicados dispositivos para drenagem ou equipamentos mais complexos, que funcionem como um rim artificial, na tentativa de se manter o equilíbrio das funções orgânicas.
Sondagem ou Cateterismo Vesical - de alívio e demora:

Consiste na introdução de material plástico, borracha ou silicone na bexiga por meio da uretra, com a finalidade de drenar a urina, controlar débito urinário, preparo pré-cirúrgico ou auxiliar no diagnóstico de lesões traumáticas do trato urinário.

A sondagem de alívio consiste na introdução de uma sonda descartável que permanece no paciente durante um período suficiente para assegurar o esvaziamento da bexiga (em média de 5 a 10 minutos), sendo retirada logo em seguida.

Já o cateterismo de demora é realizado geralmente com uma sonda de maior maleabilidade e possui em sua extensão um balão inflável para sua fixação, e dois ou mais lúmens que se dispõem paralelamente em seu interior

Considerações Importantes:
A simples presença de uma sonda vesical aumenta o risco de infecção de 6 a 7,5%, por dia, de pacientes internados. Em torno de 50% desses pacientes apresentam colonização dos dispositivos após 48 horas de uso, e o risco de bacteriúria aumenta em 55 a cada dia de uso. Portanto, deve-se ressaltar que tanto a sondagem de demora como a de alívio podem levar o paciente a ter complicações leves ou graves em relação ao quadro clínico já instalado.
Dentre as complicações relacionadas a essa prática, podemos citar: trauma de uretra, dor, uretrorragia, infecções urinárias, bacteremia, uretrite, prostatite (no homem), cálculos, pielonefrite, insuficiência renal aguda (IRA) e septicemia. Por isso, esse procedimento deve ser realizado apenas quando não houver outras alternativas.
SONDAGEM VESICAL DE DEMORA:
FEMININO:

MASCULINO:




Retirada da Sonda:


SONDAGEM VESICAL DE ALÍVIO:
Na sondagem vesical de alívio devem se seguir os mesmos procedimentos de sondagem vesical de demora quanto ao preparo do paciente, higiene íntima, antissepsia e uso de técnica asséptica rigorosa. Alteram-se os materiais para o procedimento, dispensando-se: água destilada, coleto de urina e sonda vesical de demora, que deve ser substituída por uma de alívio. Com relação à drenagem de urina, esta deve ser realizada em cuba rim estéril, atentando-se para não encostar em sua extremidade distal da sonda.
Na sondagem vesical de alívio masculina, deve-se acrescentar somente uma seringa de 20 ml, para aspirar a xilocaína em gel, cuja finalidade é anestesiar o canal uretral. Vale ressaltar que o frasco de xilocaína em gel deve ser aberto com auxílio de uma agulha 40 x 12 (ou, se este já estiver deslacrado, desprezar a primeira gota).
FONTE DE PESQUISA:
PETENUSSO, M.; KRIEGER, D. Manual de saúde para manuseio de sondas, drenos e cateteres. 1 Ed. São Paulo: YENDIS, p. 202 - 223; 2016.
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